segunda-feira, 18 de maio de 2009

Crônicas de Jabor:

Viva a Crise!
A crise é boa..
Nada melhor do que uma crise para nos dar a sensação de que a vida muda, que a história anda, que a barra pesa. A crise nos tira o sono e nos faz alertas.
A crise nos faz importantes pois, subtamente, todos se preocupam conosco - nós, a opinião pública, nós, o "povo", nós, os babacas que todos preferiam na sombra, na modorra, e que, de repente, podem sair batendo panelas nas ruas.
A crise nos inclui na política. Aliás, crise no Brasil é quando a política fica visível para a população.
A crise é boa porque acabaram as crises cegas, radiofônicas, anos 50. Hoje as crises são on-line, na internet, nos celulares, com todas as sacanagens ao vivo, imediatas. A crise é uma aula, quase uma videogame.A crise é um thriller em nossas vidas.
A crise nos permite ver a verdade. Mas como - se todos mentem o tempo todo? A crise nos ensina a ver a verdade de cabeça par baixo. Ensina que a verdade é o contrário de tudo que dizem os depoentes, testemunhas e réus. A verdade é tudo o que os políticos negam.
A crise é boa para conhecer tipos humanos. Temos de tudo - uma galetia de personas, de máscaras, de bonecos de engoço, de mamulengos, temos m reality show sobre o Brasil, temos um desfile de caras, de bocas, de mãos trêmulas, de risos e choros constrangidos, temos as vaidades na fogueira, os apelos à razão, temos os clamores de honradez, os falsos testemunhos, vemos os alicerces do pais aparecendo, a lama debaixo das dignidades, temos os intestinos, os pés de barro, os nós da tripa, temos os apendices supurados, temos os miasmas que nos envenenam aparecendo sob a barra da saia de juízese desembargadores, as sujeiras escorrendo sob as frestas da lei. E tudo vai diplomando o povo em ciência política.
A crise é boa também para acabar com as alegorias proletárias, com a crença de que operário teria um saber metafísico e santificado, e mostra que para ser presidente tem sim que estudar e ter competência.
A crise é também aula de teatro. A crise nos revelou a revoluçõ dramática de roberto jefferson. Trata-se de um " Gargântua", um ex-Pantagruel, um raro tipo rabelaisiano que se virou ao avesso e transformou merda em ouro, mentira em verdade. Jeff é o anti-heroi heróico. Jeff conhece a baba do boi, a baba das coisas, a barra-pesada. A verdade de Jeff tem a legitimação do crime assumido. Jeff suja a limpeza e não denuncia exceções mas exibe a regra.
Crise também é cultura. Crise é Brecht, Shakespeare, Nelson Rodrigues. A crise tem até a casa da mãe Joana, Jeanne.
Jeff nos mostrou que o crime político não é um defeito: é uma instituição. Jeff é a prova de tudo o que Sergio Buarque estudou. S e Jeff não existisse, tudo estaria rolando no banho-maria do PT e do Dirceu-2010. Ouso dizer: por vielas mal frequentadas, Jeff fez um grande bem ao brasil. Jeff faz dupla com dirceu, seu alter ego, seu espelho. Não haveria um sem o outro.
Dirceu desprezou Jeff e este o destruiu.
A crise ensina que a salvação do pais é destruir os esquemas que Jeff denunciou e que a destruição do pais seri seguir o que Dirceu queria. A crise nos espanta: como um sujeito só, como Dirceu, consegue acabar com 25 anos de um partido, com um governo e consigo mesmo? A crise nos ensina o horror do narcisismo totalitário.
A crise ensina que os velhos "revolucionário" tem um comportamneto parecido com os políticos oligárquicos. Ambos trabalham na sombra, na dissimulação, no cabresto dos militares.
A crise acaba com a mitificação do PT como o partido dos "puros". Acaba essa bobagem messiania em que muito intelectual acreditou. A crise humaniza os petistas, pois os há honestos, românticos,corretos,eos há ladrões, mediocres, famintos e boçais. A crise vai reformar a idéia de "esquerda" no pais. Vai criar uma esquerda mais verdadeira, mais útil, mis possível. A crise acabará com os fins justificando os meios, a crise acaba com o "futuro" e nos trará o doce, o essencial presente, a crise nos dá uma porrada na cara para deixarmos de ser bestas.
A crise ensina que ninguém é " revolucionário" ou " heroi " ou "comandante supremo" ou
" companheiro" ; as pessoas são narcisistas, compulsivas, agressivas, dependentes, invejosas, fracassadas, com problemas sexuais. A crise ensina mais freud do que Marx. A crise mostra que a velha esquerda não tem programa; tem um um sonho. Que virou pesadelo.
A crise ensina ue muito mis importante que estudar a miséria do pais é estudar a "riqueza" do pais.A crise mostra que não adianta mostrar os horrores da miséria e dos despossuidos. São consequências da verdadeira miséria que nasce nos intestinos das classes altas. A miséria é a riqueza, a miséria é a própria política.
A crise ensina que revolução no pais tem de ser administrativa e não ' de ruptura". A crise ensina que nossa política é tão mediocre que nos últimos meses bastou a economia; política não fez falta. A crise mostra que o Brasil progride enquanto dorme.

Lendo o texto verificasse que em nosso País os fatos são mais atuais do que se pensa...

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