Jornal Diário do Pará, 24/05/09 - Martha MedeirosO texto abaixo se refere a um diálogo entre Eu e uma das mães, frente ao mural da escola:
Ao ler um cartaz, escrito por uma das mães avisando que estava vendedo todos os seus pertences, pois a familia estava retornando aos EUA. No cartaz, estavam ainda o endereço do bazar e o horário de atendimento.
-Que coisa triste ter que vender tudo que se tem -comentou a mãe ao meu lado.
_Não é não, respondi, já passei por isso e é uma lição de vida.
Eis uma história interessante, pela lição de vida que ela passa.
Morei uma época no Chile e na hora de voltar ao Brasil, trouxe comigo apenas umas poucas gravuras, uns livros e alguns tapetes.O resto vendi tudo, e por tudo, entenda-se: fogão,camas,louças,liquidificador,sala de jantar, aparelho de som, tudo o que compõe ema casa.
Como eu não conhecia muita gente na cidade meu marido anunciou o bazar no seu local de trabalho e esperamos sentados que alguém aparecece. Sentados no chão. O sofá foi o primeiro que se foi.Às vezes o interfone tocava as onze da noite e era alguém que tinha ouvido comentar que ali estavam vendendo uma estante.Eu convidava para subir e em dez minutos negociávamos um belo desconto.Além disso, eu sempre dava um abridor de vinho e um saleiro de brinde, e lá se iam meus móveis e minhas bugingangas.
