domingo, 31 de maio de 2009

QUERO SER SOGRA!!!!!!

Antes de ler, pense...
Você fica ou namora?
As vezes me pego pensando qual a diferença entre estas duas palavras para os jovens de hoje.
Antes, gostaria de deixar claro que sou feliz no relacionamento que escolhi para mim. Começou a 24 anos atrás e continua com a chama da paixão acesa.
Tenho em casa duas adolescentes que até agora só aparecem com os "seus ficantes".
Não consigo gostar desta palavra, acho tão superficial, tão irreal, tão imaterial, anti-social...
Analise a situação: Os jovens se abraçam , se beijam, trocam carícias, muitas vezes intimas, conversam sobre suas vidas, falam de si, do que fazem , de suas preferências.... de planos de vida, e, no final da noite, afirmam que "só estão ficando..."
Será que se pode pensar: Estão ficando loucos...?
Antes, expor sua vida,mostrar sua casa, mostrar aos pais o "fulano", falar de gostos, família e preferências, beijar, fazer carícias, muitas vezes muito íntimas( até porque, onde há fumaça, há também muito fogo...), andar pela rua de mãos dadas, ir buscar na escola, na faculdade, era NAMORAR.
Onde foi que aconteceu a troca de denominação? Não me recordo! A tecnologia é a responsável por tudo?
Homens e mulheres são tão diferentes como o "casal " da foto?
Sou antenada com o mundo. Sei que a informação é muito veloz, conversamos sobre tudo, somos claras em relação as sensações, aos sentimentos, as preocupações, falamos de DST, AIDS, violência, de baladas, de homens que parecem gatos, de homens que parecem ratos e de homens que parecem cachorros.
As amigas das minhas "meninas " me procuram para conversar. Sou tudo, mãe, amiga, conselheira sentimental, parceira de dança, de caminhada, de cinema, de passeios pelo shoping,etc.
Só que estou querendo ser SOGRA! O grifo em verde é proposital. Sou da paz.
Na avaliação dos jovens de hoje, a mãe de" sua ficante" é sua sogra?
Gostaria de saber onde ficam os pais ? Qual a sua denominação nesta "relação " tão atual?
Será que a palavra "tia" é bem vinda para me denominar nesta relação de" ficar"?
Não estou propondo um leilão!
Eu quero de ter um "genro", a moda antiga, daqueles que manda flores, que passeia de mão dadas, que corre na chuva, que não tem vergonha de dizer que namora, que abraça e beija sem deixar o "fogo" apagar, que vai ver o por do sol na Estação, que divide o sorvete, a pipoca,que aproveita o escurinho do cinema e rouba um beijo(ou que vai pro cinema só pra beijar), que liga pra falar de saudade e marcar um encontro no meio da semana...
Enfim, quero que minhas "meninas-mulheres" sintam a sensação de estar junto a um rapaz que tenha tudo que um humano tem, inclusive as sensações.
Alguém se habilita?

terça-feira, 26 de maio de 2009

VENDE-SE TUDO

Jornal Diário do Pará, 24/05/09 - Martha Medeiros



O texto abaixo se refere a um diálogo entre Eu e uma das mães, frente ao mural da escola:

Ao ler um cartaz, escrito por uma das mães avisando que estava vendedo todos os seus pertences, pois a familia estava retornando aos EUA. No cartaz, estavam ainda o endereço do bazar e o horário de atendimento.

-Que coisa triste ter que vender tudo que se tem -comentou a mãe ao meu lado.

_Não é não, respondi, já passei por isso e é uma lição de vida.

Eis uma história interessante, pela lição de vida que ela passa.

Morei uma época no Chile e na hora de voltar ao Brasil, trouxe comigo apenas umas poucas gravuras, uns livros e alguns tapetes.O resto vendi tudo, e por tudo, entenda-se: fogão,camas,louças,liquidificador,sala de jantar, aparelho de som, tudo o que compõe ema casa.

Como eu não conhecia muita gente na cidade meu marido anunciou o bazar no seu local de trabalho e esperamos sentados que alguém aparecece. Sentados no chão. O sofá foi o primeiro que se foi.Às vezes o interfone tocava as onze da noite e era alguém que tinha ouvido comentar que ali estavam vendendo uma estante.Eu convidava para subir e em dez minutos negociávamos um belo desconto.Além disso, eu sempre dava um abridor de vinho e um saleiro de brinde, e lá se iam meus móveis e minhas bugingangas.

segunda-feira, 18 de maio de 2009

Crônicas de Jabor:

Viva a Crise!
A crise é boa..
Nada melhor do que uma crise para nos dar a sensação de que a vida muda, que a história anda, que a barra pesa. A crise nos tira o sono e nos faz alertas.
A crise nos faz importantes pois, subtamente, todos se preocupam conosco - nós, a opinião pública, nós, o "povo", nós, os babacas que todos preferiam na sombra, na modorra, e que, de repente, podem sair batendo panelas nas ruas.
A crise nos inclui na política. Aliás, crise no Brasil é quando a política fica visível para a população.
A crise é boa porque acabaram as crises cegas, radiofônicas, anos 50. Hoje as crises são on-line, na internet, nos celulares, com todas as sacanagens ao vivo, imediatas. A crise é uma aula, quase uma videogame.A crise é um thriller em nossas vidas.
A crise nos permite ver a verdade. Mas como - se todos mentem o tempo todo? A crise nos ensina a ver a verdade de cabeça par baixo. Ensina que a verdade é o contrário de tudo que dizem os depoentes, testemunhas e réus. A verdade é tudo o que os políticos negam.
A crise é boa para conhecer tipos humanos. Temos de tudo - uma galetia de personas, de máscaras, de bonecos de engoço, de mamulengos, temos m reality show sobre o Brasil, temos um desfile de caras, de bocas, de mãos trêmulas, de risos e choros constrangidos, temos as vaidades na fogueira, os apelos à razão, temos os clamores de honradez, os falsos testemunhos, vemos os alicerces do pais aparecendo, a lama debaixo das dignidades, temos os intestinos, os pés de barro, os nós da tripa, temos os apendices supurados, temos os miasmas que nos envenenam aparecendo sob a barra da saia de juízese desembargadores, as sujeiras escorrendo sob as frestas da lei. E tudo vai diplomando o povo em ciência política.
A crise é boa também para acabar com as alegorias proletárias, com a crença de que operário teria um saber metafísico e santificado, e mostra que para ser presidente tem sim que estudar e ter competência.
A crise é também aula de teatro. A crise nos revelou a revoluçõ dramática de roberto jefferson. Trata-se de um " Gargântua", um ex-Pantagruel, um raro tipo rabelaisiano que se virou ao avesso e transformou merda em ouro, mentira em verdade. Jeff é o anti-heroi heróico. Jeff conhece a baba do boi, a baba das coisas, a barra-pesada. A verdade de Jeff tem a legitimação do crime assumido. Jeff suja a limpeza e não denuncia exceções mas exibe a regra.
Crise também é cultura. Crise é Brecht, Shakespeare, Nelson Rodrigues. A crise tem até a casa da mãe Joana, Jeanne.
Jeff nos mostrou que o crime político não é um defeito: é uma instituição. Jeff é a prova de tudo o que Sergio Buarque estudou. S e Jeff não existisse, tudo estaria rolando no banho-maria do PT e do Dirceu-2010. Ouso dizer: por vielas mal frequentadas, Jeff fez um grande bem ao brasil. Jeff faz dupla com dirceu, seu alter ego, seu espelho. Não haveria um sem o outro.
Dirceu desprezou Jeff e este o destruiu.
A crise ensina que a salvação do pais é destruir os esquemas que Jeff denunciou e que a destruição do pais seri seguir o que Dirceu queria. A crise nos espanta: como um sujeito só, como Dirceu, consegue acabar com 25 anos de um partido, com um governo e consigo mesmo? A crise nos ensina o horror do narcisismo totalitário.
A crise ensina que os velhos "revolucionário" tem um comportamneto parecido com os políticos oligárquicos. Ambos trabalham na sombra, na dissimulação, no cabresto dos militares.
A crise acaba com a mitificação do PT como o partido dos "puros". Acaba essa bobagem messiania em que muito intelectual acreditou. A crise humaniza os petistas, pois os há honestos, românticos,corretos,eos há ladrões, mediocres, famintos e boçais. A crise vai reformar a idéia de "esquerda" no pais. Vai criar uma esquerda mais verdadeira, mais útil, mis possível. A crise acabará com os fins justificando os meios, a crise acaba com o "futuro" e nos trará o doce, o essencial presente, a crise nos dá uma porrada na cara para deixarmos de ser bestas.
A crise ensina que ninguém é " revolucionário" ou " heroi " ou "comandante supremo" ou
" companheiro" ; as pessoas são narcisistas, compulsivas, agressivas, dependentes, invejosas, fracassadas, com problemas sexuais. A crise ensina mais freud do que Marx. A crise mostra que a velha esquerda não tem programa; tem um um sonho. Que virou pesadelo.
A crise ensina ue muito mis importante que estudar a miséria do pais é estudar a "riqueza" do pais.A crise mostra que não adianta mostrar os horrores da miséria e dos despossuidos. São consequências da verdadeira miséria que nasce nos intestinos das classes altas. A miséria é a riqueza, a miséria é a própria política.
A crise ensina que revolução no pais tem de ser administrativa e não ' de ruptura". A crise ensina que nossa política é tão mediocre que nos últimos meses bastou a economia; política não fez falta. A crise mostra que o Brasil progride enquanto dorme.

Lendo o texto verificasse que em nosso País os fatos são mais atuais do que se pensa...